Na campanha e na urna: compare o desempenho dos presidenciáveis na internet, na TV e no resultado do 1º turno
12 de outubro de 2018
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Na campanha e na urna: compare o desempenho dos presidenciáveis na internet, na TV e no resultado do 1º turno

Mais votado no domingo, Bolsonaro foi o que mais engajou internautas e dominou as conversas virtuais, mas um dos que menos teve tempo de TV; especialistas afirmam que todos os meios se complementam porque têm públicos diferentes. 

 

Os presidenciáveis Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) chegaram ao segundo turno das eleições de 2018 com tempo de TV e popularidade nas redes sociais bastante desiguais. 

Para comparação, o petista detinha 19,2% do horário eleitoral gratuito, contra 1,09% do candidato do PSL. No entanto, Bolsonaro, com 42,9% de todo o engajamento no Facebook, 60,4% das menções no Twitter e 69,3% das buscas no Google, liderou a disputa entre os três principais meios digitais no conjunto dos 50 dias de campanha analisados.

Bolsonaro terminou o primeiro turno em 1º, com 46% dos votos válidos, 17 pontos a mais que os 29% de Haddad. O desempenho nas redes sociais, então, é mais importante que o tempo de TV? Dois especialistas em análise de dados de redes: Lucas Calil, pesquisador da FGV-DAPP, e Max Stabile, diretor-executivo do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD) comentam a questão e as principais conclusões são:

1) Nas eleições de 2018, as redes sociais parecem ter ter tido um peso relevante, mas não se pode dizer que determinaram sozinhas o resultado nas urnas e nem que elas substituíram os meios tradicionais;

2) Cada meio tem o seu público-alvo e eles são complementares; além disso, o volume de participação dos internautas brasileiros não é tão representativo do total do eleitorado;

3) Entre as principais vantagens das redes sociais está a democratização do acesso dos candidatos aos eleitores, sem depender das coligações para conseguir mais tempo de TV;

4) Entre as desvantagens, está a fácil disseminação de informações falsas ou Fake News, que apelam para a emoção dos eleitores, já que a determinação da autoria do conteúdo é difícil de ser feita;

5) Não é possível relacionar diretamente o esforço investido diretamente pelos candidatos na produção de conteúdo para as redes e a TV com o resultado alcançado, já que, às vezes, a viralização de um conteúdo acontece de forma espontânea;

6) Apesar de o WhatsApp ser uma rede social privada e não permitir uma coleta de dados para análise, os especialistas dizem que ela teve grande importância, mas não é possível medir sua influência no total de votos;

7) O número de menções atribuídas a perfis falsos e robôs para inflarem os números aumentou consideravelmente na reta final da campanha para o primeiro turno, mas teve participação minoritária no volume total de interação dos usuários.

8) Além disso, comparar o peso dos candidatos nesses quesitos não significa que existe uma relação direta de causalidade entre eles, ou seja, o fato de um candidato ter mais peso no Facebook não quer dizer que ele obrigatoriamente terá mais ou menos peso nas inteções de voto. 

A comparação leva em conta apenas os números, e não avalia o teor dos comentários, se positivos ou negativos.

 

Fonte: http://glo.bo/3kHmYLe